7/29/2011

Meu primeiro câncer

De repente eu resolvi que estava na hora de começar a fazer visitas periódicas ao dermatologista, assim como fazemos com o ginecologista. Porque achei que era bom que algum médico pudesse acompanhar qualquer coisa que pudesse acontecer comigo ao longo do tempo.

Algo como perceber rapidamente quando alguma coisa acontecesse lá pelos meus 50 anos.

Mostrei algumas coisinhas que estavam me incomodando. Uma delas era uma verruguinha, ou algo assim, que brilhava e era vermelha. Mostrei também outras coisas no meu rosto, perto da minha sobrancelha.

A médica passou os olhos em mim, não me pediu pra tirar a roupa, não olhou direito na minha cara e me atendeu em 3 minutos. Mas olhou pro meu treco vermelho brilhante e falou assim: "isso tem que tirar, é um cancerzinho"

Eu fiquei assim O.O

Como assim a médica me fala que eu tenho um "cancerzinho" assim?

Convercei com minha mãe, e ela falou que essa médica é louca assim mesmo, que não era pra eu pensar nada. Fui, tirei a "pinta-cancerzinho", os pontos se comportaram totalmente normal. E eu fiquei esperando o resultado da biópsia pensando que tudo ia ser de boa, não é sempre assim?

O resultado da biópsia foi: carcinoma basocelular.

A médica me disse somente que, tudo o que eu tinha, já foi tirado, e isso está escrito na biópsia. E me disse que a única coisa que eu preciso é voltar daqui a 6 meses para ver se está tudo bem.

Eu procurei na net, e lá está escrito que as chances de cura desse câncer é altíssima. Que é o câncer mais comum.

A médica disse que é "benigno"

A wikipedia disse que muitas vezes ele é confundido com um benigno por quase nunca ter metástase.

Eu estou angustiada. Cada pintinha esquisita, cada calombinho, pra mim agora é câncer. Já me senti podre, já imaginei que eu vou morrer e deixar o lindinho sozinho. Já imaginei que vou ficar mutilada, doente, suja.

Sabe, não faz sentido racionalmente, mas eu estou sentindo preconceito de mim mesma. Se fosse qualquer outra doença, eu não pensaria essas coisas, pensaria em comprar o remédio e tomar. Se não houvesse cura (como diabetes ou pressão alta não tem) eu iria seguir o tratamento do médico.

Agora, só porque é câncer, eu tenho que me ver morta? Não vou.

Já falei pra mim umas duzentas vezes. Eu vou lutar! Eu vou viver. Eu vou viver o tempo que me resta, seja esse qual for! E olha que as expectativas são incrivelmente boas. Racionalmente, eu estou curada e não há porque eu me preocupar.

A médica me mostrou uma cicatriz fininha e pequenininha perto do nariz dela, e me disse que ela também teve esse mesmo câncer.

Me disse que somos branquinhas, e portanto super sensíveis ao sol.

Apesar de tudo isso, estou muito angustiada. Estou tentando não pensar nisso até que eu possa tomar alguma medida, de fato, sobre esse caso, mas o fato real é que eu só penso em deixar o lindinho sozinho, fazer ele sofrer, ficar deformada e ele não me querer, ou sentir nojo. Eu sei que sou idiota, mas é isso que eu penso.

Eu vou procurar outra dermatologista. Vou pedir um exame minucioso. Porque fico pensando que cada um dos meus bagulhinhos são um câncer que precisa ser retirado. Vou também consultar um oncologista, vou fazer todas as perguntas que quero fazer. Vou falar o que estou sentindo e ver se ele sabe o que dizer para me aliviar.

Fora isso, não há o que eu possa fazer, só tentar ficar tranquila.

Estou escrevendo esse post por alguns motivos.
Será que existe alguém aí fora que está passando, ou passou, pela mesma coisa que eu estou passando?
Será que falando do meu problema, alguém vai se lembrar que essas coisas acontecem sim com a gente também?
Será que falando, contando o que estou sentindo, vou conseguir enxergar que meu problema não é nem de longe o mais importante do mundo?

O título do post eu escolhi porque, realmente acreditando que eu não tenho mais câncer nenhum em mim, sou muito nova e devo ficar muito-muito-muito esperta, porque é alta a probabilidade de que eu venha a ter mais alguma coisa quando eu for uma idosa.

6 comentários:

  1. Eu sempre fico megaesperta com a minha pele. Também sou branca pra dedéu e, para ajudar, tenho duzentos milhões de pintas espalhadas em todos os recônditos do meu corpo. Não pego sol depois das 10h e antes das 16h. Passo quilos de protetor solar, mínimo fator 30 (no rosto é fator 60), inspeciono meu corpo pelo menos de quinze e quinze dias. Peço pra a médica olhar minhas costas (onde ocorre a grande convenção das pintas escuras). Faço o autoexame da mama. Me cuido. Minha avó paterna morreu de câncer, meu avô materno morreu de câncer e meu pai morreu de câncer. Minhas perspecivas são péssimas nesse assunto. Toda a vez que eu pensava nisso eu ficava paranóica. Isso me fazia mal para o estômago, me dava dor de cabeça, me deixava ansiosa. No fim, cheguei a conclusão que se eu ficasse toda hora pensando na possibilidade de ter um câncer eu ia acabar morrendo, se não de câncer, de úlcera perfurada. Daí desencasquetei. Sabe aquilo que dizem que "para morrer basta estar vivo"? Posso morrer com uma bala perdida antes de ter câncer. Posso sofrer horrores com a diabetes, com inúmeras doenças que existem, muito menos famosas e temidas que o câncer. E o câncer é meio que uma loteria. A genética ajuda, mas tem muitas pessoas que nunca tiveram câncer na família e ganharam um de presente, outras que vem de uma longa linhagem pessoas que tiveram câncer e viveram até os 95 anos sem nada além de velhice. Enfim, amiga, a única coisa que da pra fazer é se cuidar, fazer exames periódicos e aproveitar muuuuuuuuuito o lindinho, pra que, se algum dia, uma bala perdida te pegar, tu não tenha nenhum arrependimento desta vida.

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  2. Gô, eu nem lembro o que eu ia escrever aqui, esqueci depois de ler o comentário da nossa amiga Jujuba aí de cima que disse tudo! Sei que é complicado dizer "não se preocupe" em se tratando de um câncer, mesmo sendo um "cancerzinho". Mas eu acho que vc deveria se apegar à tranquilidade dessa médica "maluca", continuar se cuidando, claro, mas não se estressar demais. As doenças são criadas pelo nosso emocional que fica abalado demais com tudo. Mesmo doenças transmitidas por vírus e bactérias, apenas as adquirimos se nossa imunidade não estiver boa. E o emocional ruim abaixa a imunidade também. Temos que nos preocupar com isso, pois não podemos viver numa "bolha". Enfim, fica tranquila, mas vai sim consultar os especialistas que vc achar necessário. E nunca, mas nunca mesmo fique se aprofundando nas leituras de internet, não vale a pena, pois cada caso é um caso... Bjs!!! Cris

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  3. OI LINDA, SE ACALME!! VAMOS PENSAR POSITIVO OK? VC JA FEZ TD CERTINHO JA LEVOU O RESULTADO PARA A MEDICA, VAMOS CONFIAR EM DEUS, NÃO HÁ DE SER NADA GRAVEM TIRE ISSO DA SUA KBÇA.
    FIQUE BEM E CONFIANTE
    BJSSS NO CORAÇÃO!!

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  4. Ah, é difícil saber o que dizer, pq sei que, se fosse comigo, eu iria ficar cheia de paranóias tbm.

    Mas vc vai em outra médica e ela vai ver que tá tudo bem. Olha, a avó do meu marido tem câncer de pele. Há tipo... UNS DOZE ANOS. Não ei que "espécie" é, mas sempre tem alguma pinta. Só que ela nunca precisou arrancar pedaço nenhum, tem umas manchinhas só, nadíssima demais. Então assim, por agora vc vai ficar meio maluquinha, mas depois ponha a cabeça no lugar e pense que câncer de pele não é mais um bicho de sete cabeças.


    Bjo!

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  5. Oi, Gô!
    Eu sou uma pessoa cheia de pintas e algumas são perigosas, mas eu não tive coragem de tirá-las. E olha que não tenho a pele branquinha, pois sou da cruza de índio com branco. E a minha filha mais velha tbm tem uma pinta suspeita. E o meu pai teve que tirar uma pinta dessas vermelhas nas costas. Acho que o lance é não encucar. Manter o pensamento positivo!
    Beijão e se cuida!

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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