5/14/2012

Mestrado

Vamos começar contextualizando.

Todas as instituições de mestrado consideram 2 anos um tempo mais do que suficiente para você trabalhar, escrever e defender sua tese.

Ok, com uma vagabundice aqui outra alí. Trabalhando enquanto faz o mestrado (oi!? Super tenho que colocar comida da mesa!). Digamos que uma pessoa normal consegue terminar um mestrado em 4 anos.

Então que eu comecei lá em 2006. E ainda não terminei. Já jubilei duas vezes. Simplemente porque eu não terminei, então, acabou meu prazo de "integralização".

Estamos em 2012.

E, ao que tudo indica, isso não incomoda nem um pouco minha orientadora. Se eu contar pra ela que jubilei novamente, é muito capaz que ela se surpreenda.

Mas até aí tudo bem. Você pode dizer que eu sou a vagabunda.

Acontece que essa Orientadora não para quieta! Ela vive me pedindo código que depois descarta. Vive mudando de idéia. Vive achando coisa. Mas até aí tudo bem. As vezes certas coisas não funcionam do jeito que a gente planeja, tem que mudar, ajeitar, recalcular. Recalcular a rota, por assim dizer.

Até aí tudo bem. Você pode acreditar no que ela diz, que não vale a pena fazer um trabalho meia boca e depois ficar com vergonha de ter sua tese "exposta" na biblioteca.

Acontece que ela vive mudando tudo. Não publicou nenhum paper até agora. De ano pra ano uma coisa que era super legal ela começa a achar que é idiotice. Sem contar as coisas nas quais eu peguei ela no pulo! Tive que fazer uma pesquisa sobre tipos de memória. Não consegui achar NADA que prestasse! NADA! Ela não acreditou em mim.

Foi aí que eu a mandei procurar por ela mesma. E adivinhem o que ela achou? NADA!

Entre outros furos. (lógico que ela dava de entender que eu era vagabunda a cada vez que não acreditava que eu não achava)

Só que nesse começo de ano ela surtou de vez. No carnaval (eu recebi o email dela no meio do feriado do carnaval!) ela queria que eu tivesse resultados para 10 de março.  Mas não só resultados. Ela queria que nós publicassemos um artigo em 10 de maio. Seria uns 15 dias para: arrumar o código, coletar resultados, formatar resultados, escrever e revisar o artigo. Ou seja, serviço para uns 4 meses, ela queria que eu fizesse em 15 dias só porque era carnaval.

Então ela começou a revisar o "pseudo código" para colocar no paper. Para quem não sabe, "pseudo código" é uma representação em alto nível do código fonte. Uma representação. Ela resolveu mudar o pseudo código até ele ficar mais "bonito". Porque, como é em alto nível, você copia e cola uma frase e troca a frase de lugar. Porém, ele é a representação do código fonte. E com código fonte você não muda as coisas de lugar desse jeito com um copiar e colar. Tem que reanalisar toda a estrutura, refazer todos os testes e o diabo a quatro.

Eu engoli com muito custo essas últimas mudanças que ela resolveu fazer. Com MUITO CUSTO. Porque, além de já estar nessa lenga-lenga a 6 anos, ela ainda me vinha com essa de fazer tudo em 15 dias, e depois surtava com o meu código (desfazendo coisas que ela tinha me mandado fazer, jogando fora código dificílimos que já estavam testados). OU seja, o quer era serviço para 4 meses se transformou em serviço para um ano.

Eu fiquei terrivelmente magoada. Pessoalmente magoada. Porque, fazer isso, no meu ponto de vista, é como dizer que tudo o que eu já fiz não vale de nada. É uma merda. E meu serviço pode ser jogado no lixo (assim como esse código novo poderá ser jogado no lixo).

Aí, eu teria mais um ano de trabalho no código. E mais um ano de trabalho na tese. Ou seja, MAIS 2 ANOS DESSA BOSTA DE MESTRADO.

Eu já vinha tendo uns piripaques. Umas taquicardias quando abria o notebook. Ataque de ansiedade toda vez que ela marca reunião. Com esse último acontecimento eu não tenho mais força alguma para nada.

Quando abro o código, já me dá uma falta de vontade tremenda. Nem ordenar um vetor eu consigo fazer, porque tudo me parece sem sentido.

Eu não tenho nenhuma vontade de ver isso finalizado. A única coisa que eu desejo é me ver livre disso.

Não é mais divertido. Não tem mais graça. Não tenho nenhuma motivação.

Eu me sinto falida. Não há mais força alguma para gastar mais. Não tem de onde tirar. Tudo o que eu tinha já foi investido nos códigos que ela jogou fora.

Houve uma época em que meu maior desejo era defender, terminar, finalizar com chave de ouro. Hoje eu só quero me ver livre.

Mas eu não desisto. Porque eu fico pensando... Sabe aquela coisa do "desistir jamais"? E "só não consegue quem desiste"? E, afinal de contas, é meu trabalho jogado, definitivamente, fora.

Não que seja muito trabalho. Mas né? Não  me apetece mais, apesar de ser uma coisa grande, que levou muito tempo.

Mas daí eu penso. Mas é um projeto falido, o melhor agora é minimizar o prejuízo. É um projeto morto que só consome recurso e não tem proveito algum.

Faz 3 semanas que ela me liga querendo saber de resultados. E faz 3 semanas que lavar banheiro é mais prioritário do que trabalhar no mestrado. Qualquer coisa é mais legal do que fazer aquelas mudanças idiotas que ela quer que eu faça (não são propriamente idiotas, mas não vai mudar da água pro vinho, vai só dar uma melhoradinha)

Na última vez que ela me ligou, disse que na próxima sexta eu mandaria o resultado que eu tivesse. Mas estou parada na ordenação da merda daquele vetor idiota que ela inventou faz 3 semanas.

Me dei mais essa semana para tentar fazer essa ordenação. Ou então desocupar a moita logo de uma vez.

Mas, não sei o que fazer.


~acho que vou ficar grávida~

5 comentários:

  1. Acho uma excelente solução para que está sem tempo ficar grávida, realmente resolve o quesito tempo, ou melhor... vc nunca mais terá... kkkkk Brincadeirinha!!!! Acho legal vc parar e pensar qual é a real importancia deste mestrado para vc. Digo isso pq, sou formada em direito e quando me formei ficava me obrigando a estudar para concursos, me matando e sempre me sabotando, pq no fundo não era aquilo que eu queria. Bem, não que seja este o seu caso, mas que sabe a sua "vibe" no momento é realmente ser mãe. Bjss e estou aqui sempre que precisar.

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  2. Olha, acho que tua orientadora está mais te desorientando do que qualquer outra coisa, rs. Eu imagino o desgaste que tu deve ter com isso tudo. Não sei se eu teria tanta persistência.

    No mais, fico na torcida para que tudo se ajeite da melhor forma!


    Beijooo!

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  3. É, amiga, reflita muito sobre esta situação. Beijo.

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  4. Oi, Gô! Bem... primeiro, desculpa, mas eu ri muito com o seu post desabafo... rsrsrs. Nossa, nós somos muito parecidas, então vou te contar minha experiência. Acho que eu tenho uns 3 cursos que eu comecei e não terminei. A primeira pós (especialização) que eu fiz, eu fiz o projeto do TCC, mas não fiz o TCC. Meu curso de tradução em Campinas, super caro, super bom, super importante pra mim... não tenho diploma porque não fiz os trabalhos finais. E quer saber?? Foda-se tudo. Eu quero qualidade de vida, não quero ficar me esgotando com coisas que não vão fazer tanta diferença pra mim... Apenas analise o quanto esse mestrado vai influenciar seus planos e sua vida. Se for essencial tê-lo para conseguir outras coisas e vc não vê outra alternativa, então, acho que vc tem que terminá-lo. Mas se vc acha que vai sobreviver sem ele (o que eu acho extremamente possível), então abandone! Ah, amiga, a vida é tão boa e há tantas coisas tão mais importantes pra gente fazer, como vc mesmo disse, lavar banheiro é muuuuuuita prioridade, pô!!!! Mais do que um mestrado! rsrsrsrs. Beijão e força na peruca!!! Cris

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  5. Pior que é a realidade de muito mestrando mesmo.

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