Ninguem quer ser gordo

Se eu trupicasse numa lâmpada mágica, num dia ensolarado, numa praia linda, em um dia comum, e dessa lâmpada saísse um gênio que me concedesse apenas um desejo. Apenas um! O que eu pediria?

O gênio diria: Peça, e amanhã de manhã você acordará e tudo será diferente, conforme seu desejo.

O que eu pediria?

 
Ninguém quer de ser gordo. Assim como ninguém quer ser feio, ou pobre. Todo mundo quer ser vencedor, e só há um tipo de vencedor, certo?

Se eu pudesse escolher simplesmente acordar um dia não sendo mais gorda, eu aceitaria. Mas isso não tem absolutamente nada a ver com meu amor próprio. Eu adoro ser eu, e eu me amo, e eu adoro passar horas comigo.


Mas, eu não sou sinônimo de sucesso. Eu sou eu, eu não sou vencedora ou perdedora, só sou eu. Assim do jeitinho que eu sou. E quando digo isso, não estou dizendo que tenho cabelo liso ou encaracolado. Não estou dizendo que meu olhos são verdes os castanhos. Estou dizendo que eu tenho muita coisa em comum comigo mesma! Vejam só. Estou dizendo que eu adoro todas as coisas que eu adoro! E odeio todas as coisas que odeio.




Não estou dizendo que sou engenheira, estou dizendo que adoro meu serviço e que quero continuar com ele, porque eu gosto! Não estou dizendo que eu sou nerd, estou dizendo que eu adoro o fato de eu adorar jogar video-game tanto quanto eu! Vejam só! Eu sou muito parecida comigo mesma, e nós duas, eu e eu-mesma, formamos uma ótima dupla!



Então, estou dizendo que eu adoro ser eu, justamente porque eu me conheço e adoro ser eu! Só isso. Eu me amo.

Agora, e meu corpo? Onde ele se encaixa nisso? Porque não dá para separar a mente do corpo, Descartes deve estar tentando até agora, coitadinho. O corpo entra de duas formas, no meu ponto de vista.


Numa momento, ele é ferramenta. É através dele que eu vou até o que eu quero, ele me leva. É através dele que vou, vejo, atinjo, interajo, realizo, pulo, atravesso. Ou seja, é através do meu corpo que eu atuo no mundo.



Em outro momento, meu corpo é meu companheiro. É ele que está sempre comigo, e desculpem, mas ele é meu cúmplice.

Você pode pensar, e o que isso tudo tem a ver com amar o próprio corpo?

Bom, eu vou te responder, não tem como não amar "aquilo" que me faz atuar no mundo e é meu cúmplice! Eu não consigo achar meu corpo feio e não amá-lo. Sabe porque? Quando se tem um amigo, um cúmplice, a gente não vê seus defeitos, a gente convive com eles.



A gente vive num mundo mesquinho. Um mundo no qual se deve gastar muito dinheiro para não se ter celulite. Muito dinheiro para apagar as rugas. Muito dinheiro para não ter pelos. Muito dinheiro para pintar as maças do rosto de rosa, mas não um rosa qualquer, não! Um rosa certo, porque se você escolher o rosa errado adeus honra.



A gente vive num mundo mesquinho que diz que a gente é sempre errada. Porque se a gente não fosse errada o que haveria para consertar? Gente que é perfeita não compra coisas emperfeitadoras!

Gente que é perfeita, não precisa de nada além do que já é ou tem.


Pois eu tenho uma coisa para dizer. Eu não preciso de mais nada! Nadinha! Eu sou perfeita do jeito que eu sou. Não tenho nenhum defeito pelo simples fato de que minha barriga, minhas estrias, minhas celulites e meus pelos não são defeitos, são partes de mim.

Ou seja, meu corpo também é reflexo de mim. Porque eu, a pessoa aqui dentro da minha cabeça, não acha errado pelos crescerem na perna de uma mulher.



Eu, a pessoa dentro da minha cabeça, não acho defeito um cabelo que não é liso. Não acho defeito uma unha curta, ou comprida, ou pintada, ou não pintada. Não acho defeito uma barriga positiva, grande, média, flácida. Não acho defeito olhos que não enxergam, pernas que não andam, ouvidos que não ouvem.

Até mentes que não pensam eu não acho que sejam defeituosas. Já dizia Deus, ou Jesus, ou Gandhi, tudo tem seu tempo.



Corpo é corpo, é aquele que só vai te abandonar na sua morte, e ainda assim, há quem diga que tudo termina na morte.

Eu gostaria que você também, olhasse as imagens dessa postagem e visse toda a beleza que há nelas. Se você ainda não é capaz de ver a beleza, olhe bastante para as imagens, um dia você vai estar tão acostumada com elas (assim como você está acostumada com a moça branca, magra, loira, cabelo liso, heterossexual) que vai ver a beleza.

Pense, ao menos no começo, que é um daqueles joguinhos onde há duas imagens, e de cara você só consegue ver uma, e com o passar do tempo, você percebe a outra.

E por falar nisso, depois de eu pensar, eu diria para o gênio que eu quero é ser bilhonária. Não sou boba nem nada!

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