O começo da jornada: sendo normal

Ter ido a nutricionista e ter sofrido lá dentro (e aqui dentro) foi uma das melhores coisas que aconteceram nos últimos tempo.

Voltei a olhar pra mim, a ter carinho comigo. Voltei a ter prazer em comer!

Tenho tanta coisa pra escrever que nem sei por onde começar, ou como organizar tudo isso. Então estou despejando tudo e seja o que deus quiser.

Eu sofri, engoli muitas lagrimas, mas a minha força foi maior! Eu sei o que eu quero.

Quando eu morava com minha mãe, não precisava tomar decisões. O que tinha pra comer era aquilo. Variava bastante e meu pai sempre foi chato com os mato dele. Mas era aquilo (e meu pai também nunca foi muito pro-ativo nas refeições para além dos matos).

Quando eu casei, meu marido tomou posse da cozinha. Eu quase não tenho autonomia nisso. Nem me ajudar ele deixa. (sério, irrita as vezes, agora ele está aprendendo que pode delegar e paralelizar, e que dois produzem mais rápido do que um só). Aí eu fiquei muito a mercê da consciência dele.

E sinceramente, a gente tava vivendo a vida loka! E foi delicioso! E foi um período de muita felicidade <3 arrependo="" com="" e="" falo="" foi="" gratid="" isso="" me="" minuto="" muita="" n="" nem="" o="" p="" porque="" sim="" timo="" tudo="" um="">
Eu meio que estabilizei nos 105. Se a pressão alta dele não tivesse causado tanto no último ano, talvez eu até tivesse continuado engordando. Aquela azia que eu disse que tinha lá em 2015 nem lembro mais do que eu tava falando. Meu calcanhar tem sido controlado muito bem pelos saltinhos.

A dança tem me ajudado na atividade física e no alongamento. O pilates tá maravilhoso e eu amo de mais (veja, que essa jornada já tinha começado, lá atras, no começo de 2016 com a dança do ventre e no meio de 2016 com o pilates) me ajuda muito com as dores nas costas.

E outra, de uns tempos pra cá eu tinha me ajeitado com essa coisa de roupa. Eu tava me virando super bem. Tava produtiva no trampo. Tava me sentindo inteligente e capaz. Uma beleza.

Mas a pressão alta do meu marido foi pungente. Tinhamos que mudar. Mas veja, era tinhamos que mudar de uma vida-loka! Não tinhamos que passar a nos alimentar de luz.

E sim, eu tinha que mudar. Porque eu nunca efetivamente tomei minha alimentação como total responsabilidade minha. E quer saber? Eu só fui realmente ver que a responsabilidade é toda minha brigando mentalmente com a crossnutri.

Num dia que eu tava xingando ela (ou escrevendo em algum lugar xingamentos pra ela) eu me peguei pensando que eu queria comer o que quer que eu quisesse! E que eu tinha que entender que tudo o que eu como traz consequências pra mim! E que só eu sou capaz de escolher essas consequências! Quer dizer, não escolher as consequências, porque elas são randômicas, mas escolher qual preço pagar.

É assim, eu quero pagar o preço de morrer com as artérias totalmente desentupidas? Para isso eu não posso nunca mais comer um hamburguer.

Esse preço é muito alto pra mim?

É um risco, eu não sei se minhas artérias vão ou não vão estarem entupidas. Não sei se eu vou passar 15 anos sem hamburguer e vou acabar morrendo de acidente de coração.

Não sei se vou comer todo hamburguer que eu quiser, e acabo morrendo de câncer. (alta probabilidade)

Sabe, não é sobre escolher como você vai morrer, porque isso não dá pra escolher! É sobre escolher quanto se está disposto a abrir mão por uma vida que não se tem certeza.

É sobre escolher como se vai viver até que a morte chegue.

Não é sobre escolher como se vai morrer! É escolher como se vai viver!

E sério, eu não vou viver todos os dias da minha vida comendo o que está escrito em duas folhas de papel sulfite. Minha vida não cabe em duas folhas de papel sulfite!

E sério, não vou deixar de ir em todos os aniversários. Não vou deixar de ir em todas as feirinhas. Não vou deixar de experimentar, só pra comer o que está escrito numa folha, numa dieta, num laudo.

Sabe porque?

Porque é saudável ir em aniversários.

É saudável comer bolo de aniversário

É saudável comer brigadeiro ruim e dizer: xiii que brigadeiro ruim que a fulana comprou KKK

É saudável passear na feira de vez em quando e tomar uma garapa.

É saudável comemorar o lançamento do seu primeiro livro comendo um hamburguer delicia!

É saudável tomar sorvete quando se está terrivelmente triste e o único conforto que você tem é aquele sorvete.

Pessoas normais fazem isso. Pessoas magras podem fazer isso! Pessoas são seres humanos e há mil camadas culturais por cima desse sorvete, desse hamburguer, desse brigadeiro e desse bolo de aniversário!

Bom, talvez se você conhece 356 pessoas que fazem aniversário em dias diferentes você tenha um problema. Eu não chego a 20 aniversários por ano.

E só tenho um livro.

E sim, comida é recompensa, é conforto! Mas eu não me recompenso só com comida, e eu não me reconforto só com comida.

Então, é idiota, é bobo, é obvio, mas o sadio está no equilibrio.

E se tem uma coisa que eu quero, é não ter minha vida presa em uma folha de papel sulfite.

Eu ainda tenho que explicar essa coisa de vida-loka ter me trazido conhecimento. E de ter voltado a sentir prazer. Mas vou deixar isso pro próximo post.

Comentários

  1. Vamos "crescendo" e mudando, né? Eu também estou focando mais no que é equilibrado para mim. É claro que o conceito de equilírio é diferente para cada pessoa, e depende das necessidades de cada um. Mas é muito bacana essa "sabedoria" que o tempo vai trazendo e a diminuição da ansiedade.

    Tomara que você encontre uma nutri bacana.

    Beijão!

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    1. É claro que não tem regras. Mas se é pra pensar em regras, acho que a número 1 é:

      não existe isso de equilibrio pronto, você tem que estudar e testar até achar o seu ponto de equilíbrio.

      E nada melhor do que os anos correndo pra ajudar a gente nisso.

      O ruim é que normalmente aprendizado doi, kkkkkk

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    2. Menina, o aprendizado dói, e a gente tenta duzentas vezes até acertar né? Kkkkkkkkkkkk


      (eu acho um saco o Google não notificar a gente quando respondemos um comentários ou nos respondem, né? Mas vim aqui e vi que vc me respondeu hehehe)

      Bjsss

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